quinta-feira, 25 de julho de 2013

meu sol


Este sentimento de falta está sempre em mim. Quase como na praia, quando falta o sol, ela está lá, linda, mas não brilha. O meu inverno está a prolongar-se demasiado, o vento continua forte, tanto que leva de mim tudo o que eventualmente traga, as flores não reapareceram, não há borboletas, ficou tudo cinzento sem brilho, sem sol. O cinzento traz-me nostalgia, carencia. De mãos e pés atados, penso e repenso o que fazer,  continuar neste inverno gelado ou abrir as portas à primevera para o sol entrar? Pensado eu que é uma questão de escolha, mas não é, não há nada que pensar, mesmo que a primevera entre na minha vida, será cinzenta, triste, nostalgica tal e qual como o inverno e como a praia porque sem sol não há alegria, não há cor, nem borboletas, não há sorrisos rasgados nem voltade de viver, porque sem o sol tudo o que resta sou eu, e eu sozinha sou triste, sou carente, sou um eu rejeitada pelo meu sol que me dá todo o brilho que eu possa ter, sou eu acabada. Só queria que o sol reaparecesse e quase sem eu dar por nada me devolvesse o brilho da vida, dos dias, me fizesse ver que as borboletas são livres e coloridas, mas que eu sou mais colorida ainda que elas, alguem que saiba o significado de amar, que saiba ser sol e lua, que se disponha para ser o mundo. sem isso sou eu acabada, eu não amada. sem o sol, não sou nada.